Publicado por: Alice (...e o Espelho Quebrado) | 12 de novembro de 2009

instantes

Minha temperança se esvai, como vodca em gole rápido
e ainda me resta, a esperança dos que se calam
e fazem suas preces num silêncio milagroso,
no instante da dúvida.
Antes eu esperava, o momento oportuno para sorrir,
preocupava-me com os horários,
de comer, de dormir
tinha medo que descobrissem minhas fraquezas
ou o quanto era sentimental e apegada
enquanto as verdades metralhavam na minha cara…
Fingia-me grande, forte, independente,
e não compreendia, que a grandeza da vida
se dá no instante
em que a razão é perdida.

Poucas coisas me deprimem mais,
que essa luz amarelada que insiste em invadir minhas salas
quando a chuva bate de leve na vidraça, como que se convidando
a molhar minha pele.
Amarga, áspera e bêbada, reclamo baixinho arrastando os chinelos,
porque o que me irrita mesmo, é a ausência da totalidade das coisas.
Que mal há, em ser branco e preto, verde e vermelho, amarelo e azul?
Quando tudo se mistura tenho a impressão que é o cinza dominante
E reclamo, impotente, para o céu nublado,
da claridade amarelada que quer se instalar em meus ambientes internos,
Como um lembrete de que ainda há o sol, por cima da chuva,
um amanhã após a noite turva.
E do esquecimento me vem, como nota emudecida
o som do riso inocente, que os anjos se apoderaram
e não me devolverão, jamais.

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