Publicado por: Alice (...e o Espelho Quebrado) | 5 de fevereiro de 2009

Amabed e Adate.

Gentem, devo compartilhar que acabei de ler As Cartas de Amabed, Voltaire. É incrível como me encanto com o ácido humor desse escritor, com sua ironia e inteligência para sobrepujar a sociedade e estraçalhar seus inimigos em infonesivas observações. Não me é estranho que ele tenha sido afastado em exílio, para que tentassem se livrar de sua opinião forte, suas palavras irreverentes, por vezes sarcásticas, na tentativa de abrir os olhos de quem vivenciava tamanhos absurdos, mas às suas vistas tão naturais.

Para quem está muito entretido com Caminho das Índias e já mergulha nas Mundo Verde da vida encomendando livro, comprando todos os bibelôs hindus e etc, As Cartas de Amabed é um mergulho rápido, vigoroso e delicioso na mente de três jovens indianos que se deparam com a cultura e religião européia e são obrigados a viver sob seus costumes.

Voltando a falar mal dos modismos novelísticos, eis que essa semana algo me surpreendeu na Mundo Verde, enquanto eu comia um sanduíche natural. Uma moça se encaminhou ao caixa, com uma cestinha com dois livros e muitos bibelôs. Acrescentou à essa cestinha meia dúzia de cabides, contendo peças pavorosas, dignas de montar uma peça sobre Circo dos Horrores, daqueles que nos diziam, quando criança, que os ciganos roubavam as crianças mal educadas e respondonas e as escravizavam nesse tipo de Circo, onde pagantes debochariam de sua feiura – mesmo que fosse de alma.

Pois bem, conforme foi passando as roupas no caixa, muito me surpreendeu que os bibelôs fossem tão horrorosos quanto as roupas. O mau gosto da moça era assustador e ela levava-o a sério: estava levando produtos que eu não ousaria sequer chegar perto!
Aí, para coroar a compra e ao mesmo tempo justificar tamanha esquisitice, os livros eram sobre o que? As Índias, oras! Um sobre mitologia hindu e o outro sobre ritos religiosos.

Nada contra os livros, eu mesma sempre gostei de esoterismo e de estudar as vertentes, variantes e demais formas de Deus nas diferentes regiões do mundo. Afinal, poucas mitologias são tão ricas como a hindu!

Mas poooxaa.

Fazer isso só porque está na novelinha da rede bobo? Se vestir pessimamente como uma cigana cega e louca, apenas para mostrar pros outros que está por dentro da moda? Precisa ler livros especializados sobre a cultura para entender o núcleo dos protagonistas principais?
A trama óbvia e repetitiva da autora (heelllooo?? Maia casar prenha? Isso até a Jade já havia feito, em O Clone. Aliás, essa novela é que deveria chamar-se O Clone porque só muda o Marrocos pela Índia;).

Isso me dá um sooonooo. Uma preguiça desgramada.

[ouvindo: Time is running out, Muse.]

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