Publicado por: Alice (...e o Espelho Quebrado) | 28 de outubro de 2008

Indigna Ação

Desde sempre, ouço todos reclamarem da política, do Sistema, de injustiças horrendas e roubalheiras absurdas; todos se dizem indignados com isso.

Mas, já dizia aquela musiquinha:

 “(…)a nossa indignação, é uma mosca sem asas: não ultrapassa as janelas de nossas casas, (…) indigna ação”.

Se uma mãe que rouba de um mercado pra dar de comer ao filho é prontamente presa e condenada, um político que rouba pra bancar seus propositos também deveria ser prontamente preso, condenado e definitivamente proibido de exercer qualquer cargo público.

Assisti aos Caras Pintadas na tv quando criança. Era uma coisa enorme e linda, aqueles jovens nas ruas, segurando faixas, aos gritos, pedindo por mudanças. E fiquei espantada, não tinha como compreender o porquê daquilo, mas quando lembro hoje daquelas imagens tão fortes e que me impressionaram tanto, ainda sinto um gelo no estomago e um calor no peito.

Sim, alguns argumentam que aquilo foi articulado pela mídia, que foi massa de manobra  e etc, mas não vem ao caso aqui julgar. Aquela massa jovem ululante foi decisiva para o impeachment do presidente na época, um rostinho bonito que eu acompanhava no horário eleitoral – adorava ver aquilo – e que vi depois em alguns pronunciamentos. De resto, lembro que naquela época assisti incontáveis vezes Branca de Neve e os Sete Anões e, minha predileta, A Bela Adormecida. E estava muito bom para uma criança de cinco anos de idade, sagitariana, que tinha pavor de cortar a franjinha e que maquiava as bonecas com esmalte que surrupiava das coisas da mãe.

Durante a adolescência, quando falava empolgada sobre o Grêmio escolar, ou sobre política, minha mãe se arrepiava até os ossos e era incisiva: não se meta com isso. Parecia que entender de política ou reinvindicar por alguma coisa era algo proibido, que gerava males irreparaveis à família! Como coisa que por assinar algum plebiscito pararia um carro do Exército na nossa porta e me levariam para longe, e depois me desovariam em alguma vala comum.

Nunca questionei esse medo dela. Ela nasceu em 1953, então não devem faltar episódios assombrosos em sua memória para justificar esse pânico todo. Mas continuei gostando de política e, bem ou mal, acompanhando, mesmo que não participando.

Quando via as manchetes absurdas, quando lia as decarações dúbias e carecendo de maiores explicações, me perguntava onde estariam os Caras Pintadas, que agora deveriam estar adultos, mais maduros e com mais ‘poder de fogo’. Para minha tristeza, todos se diziam indignados, mas como na música, as reclamações enfadonhas ou mesmo inflamadas não saiam da mesa do jantar ou do balcão onde se bebia a cervejinha no fim do expediente.

Nessas eleições, INÚMEROS fatos me deixaram perplexa, boquiaberta, indignada. Quando comentava com minha mãe, ela retrucava ‘vai fazer o quê? é tudo farinha do mesmo saco…’ ou ‘sardinha não pode com tubarão’. Não insistia: ela nunca se interessou por política e sempre acreditou no Jornal Nacional como fonte confiável de informações.

Pode ser que o Movimento Pró-Democracia por si só não consiga a impugnação do Pae$, processo este que já está aberto. Mas… quem sabe esse esse movimento não seja uma faísca? Nunca antes se questionou tão a sério uma eleição municipal! Quem sabe essa passeata pacífica (pelo jeito, a primeira de muitas) sirva pra tirar a venda da ignorância e desconhecimento dos direitos básicos do cidadão? Quem sabe essa passeata tira a sociedade do lodo do comodismo e insatisfação em que se encontra afundada até o peito?

Eu acredito que sim. Pode não ter a mesma grandiosidade de outras manifestações, mas mostra que há uma mudança em andamento. Mostra que a insatisfação generalizada não está levando a nada e que somente levantando do sofá é que se produzem as possibilidades.

As possibilidades de um Rio de Janeiro melhor, as possibilidades de uma Justiça de verdade, e não essa de mentirinha que só favorece aos ricos e com contatos influentes. A possibilidade de conscientizar mais cidadãos, para cobrar atitudes e o cumprimento das promessas eleitorais.

Definitivamente, o Rio atual não é o Rio que queremos. Mas ele não se transformará no Rio que desejamos apenas se continuarmos sonhando.    Há que se reinvindicar pelos nossos direitos. Há que se reinvindicar um mínimo de respeito para o Cidadão.

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